Travessia

Varais vestidos de sonhos
Nas cores que o Sol arrebata
Roupas estiradas no arame
Como este viver infame
Que arrasta para a estrada
Trajes de muitas almas
À espera do amanhã
Noites que nascem cansadas
Sem pressa de ir embora
Sob o ar estagnado
Que sufoca nos varais
Projetos inacabados
Estendidos os desejos
Felicidade lampejo
Lambe a noite a lua fria
Que indiferente a tudo
Revela toda a magia
Na prata que enfeita o céu
Carrossel de fantasias
Parque das estrelas cadentes
Do existir deprimente
Onde se faz urgente
Suprir a sede de afeto
Encontrar caminhos retos
Um mundo menos concreto
Aranhas tecem as teias
Arranham a renda prata
Ateiam as armadilhas
Insanos desejos nascem
Colmeia de mil rainhas
Pouco mel pra tanto potes
De barro frágil moldados
Expostos nas prateleiras
De longe se vê os varais
O balanço dos lençóis
A seda que o vento leva
Como carrega dos sonhos
Estendidos na calçada
Vestidos em tom carmim
Em busca do amor sem fim
Fim de tudo filtra a noite
Entre as teias mal tecidas
Arranhadas por aranhas
Que sem pena ou piedade
Envenenam as entranhas
Estranha predileção
Abandonados desejos
Escolha da solidão.
©
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L'autore
Ana Stoppa
Ana Maria Stoppa, nata a Santo André-SP, si scrive come Ana Stoppa, ítalo- brasiliana, Cittadina Onoraria del Municipio di Mauá-SP, nata a Mauá-SP, Direttrice dell’”Ação Social” 2016- 2918, Ordine degli Avvocati del Brasile, Santo André/SP,   Presidente Onorario – Brasile- Italia dalla Associazione Culturale On
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